é injusto e não há volta a dar

entre escrever e não escrever passo o que me vai na alma com a leve egoísta esperança de que me diminua a ansiedade. melhor ainda se melhorasse a dos donos das dores.

sofro imenso com os dramas dos outros, a uma dimensão quase ridícula admito. todos os anos há dramas de quase vida e morte, muitas vezes da segunda, de pessoas à nossa volta. é a vida e acontece infelizmente mas não vivo bem a imaginar o sofrimento que isso provoca nos outros. provavelmente ninguém vive.

a tendência é querer saber todos os detalhes e ficar horas a pensar em tudo o que estão a pensar e sofrer, tentar adivinhar e mandar bons pensamentos para o lado de lá. a maior parte das vezes faço-o em silencio nem digo nada às pessoas por quem rezo e é ridículo porque com certeza gostariam de saber que mais alguém está a torcer por eles. mas não sei o que diga e por isso não digo e fica por dizer. viajo horas a fio nos detalhes, corredores de hospitais e outros sítios, tenho pesadelos com noticias piores e apetece-me ficar com uma parte daquele sofrimento. sofrimento que na verdade desconheço e se calhar por isso acho intolerável.

sou católica, 100%. tenho a perfeita noção que sou levada ao colo pelo meu amigo Jesus mas às vezes nessas situações pergunto-me se ele também leva estes outros com ele. parece que não, parece que nada justifica este sofrimento, as aprendizagens parecem duras demais, não se justificam os meios e não se percebem os fins. e isso chateia e tira o sono. até acredito no poder da oração, há imensos casos em que aparentemente resulta, mas sempre que rezei com mais força acabou por não acabar como eu achava justo.

não serve para nada este post, serve só para deitar para fora e pode ser que hoje durma melhor.


rosa amado

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