Parado (s)

Há sete dias no paraíso. Nesta fase da vida entende-se por paraíso o regime de pulseirinha numa praia com areia mar e calor, com primos para brincarem e adultos para conversar e vamos alternando com um livro. É isso que se passa, ou passou porque amanhã acaba.

Comboio para um baquete de pequeno almoço, comboio para a praia, comboio para as piscinas ou na loucura andas 800 metros a pé para o mesmo efeito. Pina colada, limonada e outras que tantas carregadas de açúcar. Aulas de salsa praia e passagem de ano debaixo de uma chuva tropical cheia de fogo de artifício. Tudo alinhado, viva o meu querido sogro.

Ora nisto lord zé não mexeu a bunda. A culpa talvez não seja dele no sentido em que férias são férias e se não andas então vens ao colo que temos pressa para apanhar sol. Ao colo para aqui e para ali entre os três e todos os outros que cravou lord zé também está a aproveitar a pulseirinha. 

Ao sétimo dia achei que era mais que razoável que transportasse seu rabo real da piscina para o quarto. 400 metros ou nem tanto, menos do que ele faz sem lhe pedirmos a toda a hora. Podes vir a pé, de mão dada ou a gatinhar.  É escolher mas vens por ti insisti eu a mula. Os outros foram andando ia ser tarefa para durar, não pela dificuldade mas pela teimosia. Mas nisso ainda estamos para ver quem ganha.

Sentado no meio do caminho de palmeiras fazia uma birra daquelas. Não mexia o rabo e fazia-o de propósito para me chatear. Eu estava possesssa. Tentei várias estratégias: falei com calma, gritei, dei palmadas e ameacei. Nada o convencia e tinha a delicadeza de interromper a real birra para dizer olá a quem passava. Ranho por todo o lado mas la lhe sorriam de volta, numa ou noutra altura pensei que iam pegar-lhe para mo trazer. Mas o bom senso reinou e continuava sem mexer a bunda. De 10 em 10 minutos tirava um sapato só para ter o prazer de me ver ir lá calça-lo. De 10 em 10 minutos lá ia eu carregada de paciência que não tinha e lhe propunha que se levantasse. Nada. Gatinhei com ele nada. Desapareci-lhe da vista. Nada.

Ele esfregava os olhos de sono e de choro e eu ardia de orgulho e raivinha. Queria tanto desistir e o pior e que a tentação era gigante. Tinha desculpas, ele tinha sono e eu estou de pança qualquer um compraria. Qualquer um menos eu a quem a falta de coerência tiram do sério. Passou uma praí uma hora. Apareceram os mosquitos e comecei a ser devorada. Mais uma horinha e tinha de gerir o tema jantar e marido transtornado. Ia dizer que não estava a ser razoável e não ia ser fácil não nos chatearmos. E depois seria hora do jantar e esta familia com fome fica com o dobro do mau feitio. Lembras-te dos livros, artigos e blogs e todos os sermões que falam em não deistir e queres comprar esse serviço. Aparentemente só vendem as dicas o resto somos nós, o mais difícil.  Não se pode dizer que tenha sido de génio mas usei a comida, já tinha tentado mas sem sucesso às tantas se insistisse pegava. Lá se foi o sapato e lá voltou a mula. Ele lá estendeu os braços na tentativa se eu ceder e eu lá tentei com o que tinha. "Quer cola cola zé ia? quer água? Quer bolo? Vamos e mãe dá." Devagar lá se levantou sem grande convicção. Repeti mais ou menos vinte vezes e deu um passo agarrado a mim. Mais outro e outro e já estávamos quase amigos. Viemos os dois. Fiz todos os elogios que me lembrei e andámos os mais ou menos 400 metros os dois. Chegámos e dei a tudo o prometido. Tive sorte se não tivesse tido não sei se tinha aguentado mais uma hora em cima da que já tínhamos tido nem sei se o meu orgulho me deixaria escrever mas tinha que ser.

Se dizem que os primeiros anos são determinantes, se dizem que é quando a personalidade se forma e sei que ele é perguiçoso que dói tinha de ficar lá a noite toda. A lição não vai ficar por aqui tenho a certeza e eu não vou ter a paciência de punta cana.

Dito isto as férias estão a ser perfeitas mas ficava mal falar só da praia e da pulseirinha.

rosa amado

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