Diário de uma grávida de 8 meses #2

Ao fim das primeiras duas semanas em casa achei que ia ser internada mas em psiquiatria.

Não lido bem com ficar em casa sem grandes objectivos sem ser os banais. Parece pouco e deixa-me louca. Faço listas intermináveis de coisas "importantíssimas" para fazer. Coisas que mudam tudo, como arranjar canteiros ou pintar cómodas. Comecei a despachar uma a uma e quando cheguei às ultimas foi uma depressão, aquele misto de não querer acabar para não chegar ao fim das tarefas ao mesmo tempo que se não chegas ao fim estás parado na mesma.
Todo um cenário ridículo.

Depois realizas devagarinho: ansiei várias vezes ter tempo para o que tenho agora e agora que tenho não quero ter. Rica esquizofrenia esta. E pronto aceitei. 

Segunda começou bem e consegui ficar na cama até quase ao 12h a ver series, terça a mesma coisa. Faço almoço para a tânia. Às tardes trato de coisas deles, falo com as professores, dou-lhes mais tempo e vivo mais o que tenho. O melhor de tudo é que é óptimo afinal.
Não faz mal não ter a lista interminável de coisas "importantíssimas" e não ter powerpoints em pipeline. Tenho vidas de pequenos e grandes seres para gerir e aproveitar e às tantas isso é muito mais importante que o resto.
E almoços com amigas e tempo com a mãe e prospecção de todo um universo de lojas on e offline e mensagens a quem já não vemos há anos e a outros que precisam de atenção e tempo para ouvir o silencio. Isso tudo.

É difícil desligar e perceber que ser inútil afinal tem imensa utilidade, mas estou a chegar lá.

[dito isto espero que já tenhas dado a volta pequeno xavi, se não vamos-nos chatear!]

rosa amado

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