Farta de ti

Eras pequenino quando vieste e foi a loucura. Foste uma surpresa quando parámos no entroncamento. Achei que ia buscar livros vim com um rato. Coisa mais querida que eras.

Tratei de ti como um recém nascido. Muito colo. Uma cama xpto, ração que parecia foi gras. Saco de água quente para dormir, um relógio para embalar e noites atrás de noites mal dormidas. Começou bem portanto.

Depois cresceste, mais e mais e mais e ficaste gigante e chato. Por muito amor que te desse querias sempre mais. És carente. Um chato. O João diz que achas que és gente, talvez porque de caçar és fraquissímo.

Se vem cá alguém não sais de cima e como bom cão escolhes sempre os que menos gostam de cães. É genial. Houve alturas em que te dávamos calmantes, dos legais mais uma caixa inteira. Nada. Continuavas com essa energia inesgotável que me esgota a paciência. Raios.

Depois vinha aí o manel e o instinto maternal apurou-se, ganhei mais paciência. Na noite em que ele nasceu ficaste doido em cima da minha barriga, sabias bem o que aí vinha. Tal como és o primeiro a saber que estou a espera de bebé.  Com eles começas devagarinho. Primeiro só deitado ao lado a controlar, depois lambes pés e orelhas e passados uns meses já te enrolas nas camas deles se não tivermos atenção.

Agora acordo e saem todos menos nós. Olho para ti, tu para mim e só te quero ver pelas costas! Foi-se a paixão. Abro a porta e suplico para ires. Vais e voltas 10 minutos depois e já não te posso ver. Já te disse mas acho que não percebes ou então finges que não queres saber.

Depois chegam os miúdos e quase me esqueço de ti até que um deles te agarra e diz que teve saudades. Te dá bolachas, te explica o desenho animado ou te vira ao contrário e tu aturas tudo.

Golo, já estou farta de ti. Desculpa. Tenho multiplicado a espécie e estás cheio de mini pessoas que compensam por mim, combinado?

rosa amado

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