Sem jeito

O meu filho Manel iniciou há uns meses uma carreira no ciclismo. O padrinho ofereceu-lhe mega bicicleta com rodinhas. Num sábado de manhã como qualquer outro, ele do nada pediu-me para andar. Claro, pensei eu. Ele anda, dá umas voltas enquanto eu facebooko (sim é um verbo que se vai usar) no phone i. Que dificuldade haveria? As rodas estão sempre no chão, são 4, impossível cair. Não é como a natação que te afogas se não consegues.

Preparado para arrancar, qual Dotore Rossi, ficamos num impasse. Eu a olhar para ele e ele a olhar para o chão. Ok, esqueci-me de explicar a dinâmica deve ser isso. Depois de explicar a fisica e dinâmica da situação voltamos à partida. Eu a olhar para ele e ele a olhar para o chão. "Força" grito eu.. nada acontece... Ainda pensei 2 segundos que se calhar a bicla tá estragada, mas depois volto à realidade do faltar jeito, como na natação, como a dar cambalhotas, como no judo....

Empurrei-o e começou a andar. Sucesso! Os pedais em movimento, 5km\h, impecável... No entanto olhos do Manel continuam a olhar para o chão. A bicicleta dirige-se contra a parede. "Trava" grito eu como se o puto soubesse travar. Pumba! parede com ele. Eu a correr atrás tropeço e parto-me todo no chão.

Silêncio... Olhamos à volta, e ninguém parece estar a ver. Olhamos um para o outro e concordamos com um olhar que só existe entre e pai e filho. Ninguém viu, não está a ser giro, tentamos daqui uns meses outra vez, ok? Combinamos isto sem abrir a boca e não contamos a ninguém....

O jeito é genético. Somos os dois felizes na mesma....

João B. Amado

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