No barbeiro da Estrela

Caríssimos,

Vivi em Portugal até aos 8 anos, antes de seguir para aventuras africanas seguindo os meus pais por Madagáscar, Burundi e Guiné-Bissau (antes de fechar o ciclo na Bélgica). Nestes 8 anos tenho marcado na minha memória 3 dinâmicas que fazia regularmente com o meu pai e que me enchem a memória, o coração e a alma cada vez que penso nelas:

1) Fazia a barba com o meu pai todos os dias. Ele com lâmina verdadeira e eu com gilette sem lâmina. Misturávamos a espuma, o que era uma verdadeira ciência comparada com o que existe hoje em dia, espalhávamos na cara com aquele mega-pincel e depois vinha tudo para fora com a minha "gilette" fabulosa. Era um espetáculo.

2) Todos os sábados e\ou domingos, íamos correr, jogar futebol ou simplesmente brincar, para os jardins da Torre de Belém. Uma pérola para corpo e mente e aproveitar a cidade que temos.

3) Ir ao barbeiro da Estrela cortar o cabelo de 3 em 3 meses. Sentado em cima de 3 páginas amarelas, lá ia eu com o meu pai sentir-me o mais crescido do mundo. Um verdadeiro homem. Menos naquela vez que o meu pai me deixou com um "rabicho" à la Futre, mas eram os anos 80 e já perdoei esse ultraje.

São estas as memórias que marcam a minha relação com o meu pai nos primeiros 8 anos de vida.
E assim, lá fui eu pegar no meu Manel Amado e começar a passar o que aprendi a adorar. Saímos de manhãzinha. Fomos tomar o pequeno almoço juntos e lá fomos nós cortar o cabelo no barbeiro da Estrela. Verdadeiros homens. Verdadeiros Amados.





















João B. Amado

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