Açores a dois [ou três]

Marcas a viagem e começas logo a sonhar. Escolhemos o sítio, imaginamos programas e combinamos descanso. O pretexto é o casamento, o deles e o nosso, o melhor pretexto de todos.

Meses a sonhar com férias e chega o dia. Fazes as malas com tudo de bom, fatos de banho tshirts, livros, kit casamento e um bebé. Check in online, alugar um carro com um rasgo de sorte e lá vamos nós onde nunca tínhamos ido, aos Açores. Uma ilha, voltamos às outras com todos um dia.

Casa em cima do mar um calor do melhor e tudo perfeito. Tudo tudo menos os dois. Raios, parece que tiramos as férias para embirrar um com o outro. Acontece-nos sempre a dois, vá-se lá perceber. Parece um misto de cansaço acumulado com expectativas descontroladas. Qualquer coisa que não sei bem mas que provoca em nós um nível de irritação ridícula. Excepto nos momentos em que nos esquecermos e voltamos a ser namorados, todos apaixonados.

E são dois ou três dias assim entre paisagens e passeatas, jantaradas  e descanso, mergulhos no mar e gente chateada [gente que somos nós]. E depois esquecemo-nos e entre cracas e queijo vaquinhas jogamos aos e se nos mudassemos para cá, a refutar todas as teorias das conspirações, a imaginar histórias e a viver emoções.  Pomos a conversa em dia, tiramos tudo cá para fora e mal aparentemente vai embora.

Começamos e acabamos no casamento. Calor e vestidos curtos e um padre que reforça que o casamento não é fácil, e nós sabemos, eles sabem e atiramos-nos na mesma. Como no primeiro dia mas mais velhos e com mais barriga.

Deixamos o bebé com uma melissa local e arrancamos em primeira. Bebemos uma jolas [que se lixe o leite], fotos, conversas e jantaradas e dançamos como sempre. Como é e como era, quase como inimigos e amantes. Danças, danças e danças.

Vivós os noivos, a terceira e as férias. As trombas e o mau feitio.  E para quem não acredita aqui fica escrito que não somos sempre amigos nem queridos. Às vezes somos só bestas amadas [e quase sempre nas melhores férias]

rosa amado

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