A importância das primeiras vezes

Caríssimos,

A verdade é que quando olhamos para trás lembramos-nos sempre das primeiras vezes. Das sensações, das memórias e às vezes mesmo de coisas que só aconteceram na nossa cabeça. Lembro-me perfeitamente do meu primeiro jogo de futebol no estádio do Restelo. Da primeira vez que parti a cabeça. Da primeira vez que gostei duma rapariga. Do meu primeiro cinema. Da minha primeira aventura. Da primeira vez que planeei o futuro. As primeiras vezes fazem parte de nós e da nossa memória como se nos moldassem para nos avisar que devemos repetir ou evitar as coisas como elas são.

Por estas razões estamos determinados a acompanhar e exponenciar as primeiras vezes dos nossos filhos. Desde a primeira papa, a primeira ida ao hospital, o primeiro natal, a primeira palavra e tudo aquilo que os faz tão diferentes uns dos outros. Fico com pena de não ter estado nas primeiras vezes da Tânia, mas temos as nossas primeiras vezes juntos e isso já é mais do que perfeito.

Mal o Manel Amado do rabo queimado fez 5 anos, planeei a sua primeira ida ao cinema. Um filme de dinossauros animados. Perfeito. 11 da manhã, perfeito. Pipocas doces - check. Manel e amigo - check. Coca cola matinal para mim - check. Admito que estava mais ansioso que ele em presenciar a primeira vez dele no cinema. Se se iria fartar rapidamente, se iria perceber, se iria gostar do ambiente...

Quando a cortina fechou, depois de 2 horas de dinossauros a nascer, a viver, a conhecer, a morrer e a renascer, o meu Né parecia que tinha vivido essas mesmas experiências. Tinha rido que nem um louco. Tinha-se agarrado a mim com medo. Tinha perguntado mil e uma perguntas. Tinha duvidado. E quando os amigos no filme se separaram para sempre, chorou e eu com ele.

Foi uma experiência divinal e não me vou esquecer nunca, espero que ele também não. E é por isso que agora vou organizar as primeiras vezes dos meus filhos com o melhor que sei e que posso.
Sem contar com os namoros...e outras primeiras vezes...

São as vezes que se multiplicam e que nos formam... Aproveitem!

João B. Amado

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