Terrible 3

Há quem diga que é aos dois mas cá em casa vem aos três. Com o Manel foi o mesmo.

Dizemos que em bebé dão trabalho e noites mal dormidas, tudo queixas válidas mas nada ao lado das birras dos três.

Se tem o pai quer a mãe, se vê sopa quer o resto, se é para sair quer ficar, se é para brincar a isto quer brincar àquilo e por aí fora. Quer fazer tudo sozinho e isso é bom e desejável mas o ritmo alucinante ou a paciência nem sempre abundante podem complicar a cena.

O Manel dá-lhe a volta como ninguém e todos treinamos a mestria sabendo bem que na volta quem manda somos nós. Aquele  equilíbrio entre dar a volta e mostra quem manda. Tudo isto sem fazer dos dias uma guerra. A guerra dos dias.

Num destes dias saímos da escola e fui com os dois ao supermercado. Abrindo parentesis de contexto o zé não podia com uma gata pelo rabo, tinha tido terapia e foi depois para a escola com a lisa de autocarro. Tudo bem e na mudança para o segundo autocarro que nunca mais vinha decidiram ir a pé. Teimosia era tal que não queria ir ao colo nem sequer com mão dada. Bonito o menino teimoso foi pela mão mas em guerra dois quilómetros. Nisto demorou tanto que perdeu o timming da sesta.
Fechados os parêntesis voltamos ao supermercado. Dois dentro do carrinho e toca a comprar básicos. No lidl compro sempre as coisas a acabar o prazo, tão  impecáveis e valem menos 30% por isso tá a valer. Iogurtes foi o achado do dia, a perdição do ze ia. Agarrou-se a eles com a vida e queria come-los todos. Expliquei que pagavamos e comia depois do jantar em casa. Foi querido da minha parte mas ele na sua teimosia queria pouco saber. Savana.

Continuava eu no saca saca das prateleiras e ele furioso a querer comer o raio dos iogurtes. Zanguei-me.
O supermercado parou porque hoje em dia não nos podemos zangar com crianças em sítios públicos. Chega a ser mais criminoso do que os ter mal criados, mais ainda se for trissomico. És assaltada por olhares matadores de violência doméstica. Não sou de armar cena mas também não sou de permitir birras, eles sabem que se há birra temos o caldo entornado. Mas aqueles iogurtes pareciam deliciosos e a fome, e o sono e os terríveis três.

Testa-se a loucura e a paciência ao limite. Ao mesmo tempo que se tenta não chatear os outros e educar. Esta nova experiência com trissomico tem mais um grau de dificuldade de acharem que ele não percebe e que a birra na verdade é da mãe. Essa mãe criminosa.

Não é fácil, nada fácil esta idade maravilhosa.
Contrariado lá deu os iogurtes à senhora para pagar e agarrou-os com a vida até à hora da sobremesa. E depois derretido comeu-os numa alegria misto de gozo e sabor.

Fica prometido que não voltamos ao supermercado nos dias de cansaço externo, fica também assente que no amor e na guerra não se ganha nem se perde sempre, mas quem manda é  a mãe.

Maravilhosos estes três.

rosa amado

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