E agora, Maria de Belém...?

Caríssimos,

As presidenciais já lá vão. É por isso óbvio que estou a falar de Maria de Belém, membro mais recente da família Amado, com as devidas vénias e pêlo à mistura. Quem tem cão sabe que é difícil. Mas há difíceis e depois há a Maria de Belém...

Não sei se será da idade mas a paciência para cães está a passar para valores negativos. Então vejamos:

Acontecimentos quase diários:

1) O problema digestivo. Passeias a cadela 20 minutos, faça chuva ou faça vento. Ela cheira, ela corre, ela ladra, ela senta-se e olha para ti. Não aguentas mais o frio e o facto de não estares a fazer nada. Ela entra em casa e 5 minutos depois já sentes o cheiro nauseabundo dum cocó espumoso acabadinho de fazer. Limpas a coisa com ligeiro vómitos, disciplinas como possível e simpaticamente a cadela. Passas a esfregona, afastas a criançada. Quando já arrumaste o material de limpeza, observas noutro canto um laguinho de xixi. Contas até 10 e vais buscar o material de limpeza. Disciplinas a cadela. Limpas a coisa. Mal acabas, vês que já cheira outra a vez a cocó. Duvidas por te parecer impossível. Vais ver os rabos dos míudos, um a um, para ver se foram eles. Não foram. Assumes que o cheiro já se entranhou em ti. Vais arrumar o material de limpeza ligeiramente mais animado, sensação de dever cumprido, quando o último passo que dás antes de encerrar o processo culmina num pisar de lama, que te apercebes quase instantaneamente que é cocó. Eu que até gosto de falar de cocó, já não aguento mais. De notar que isto já aconteceu de madrugada. Sim, quando eu estava descalço. Já pensei em ir a um psicólogo por causa da cadela. Mas depois tenho medo que ela descubra e se vingue ainda mais. Sim já pensei em maneiras de "perder a cadela", ou de acontecer um "acidente", mas tenho medo que a coisa corra mal e me saia do bolso.

2) O fetiche do abat-jour. Nenhum animal tem fetiches destes. Nenhum! Obviamente que a nossa cadela tem um fetiche por abat-jours (já devia haver uma palavra portuguesa para esta treta). Mal se vê sozinha, a Maria de Belém procura abat-jours pela casa. Arranca-os e lentamente come ou rói a maldita coisa. Porquê?? Para se iluminar? Porque faz lembrar ração? Não faz sentido mas acontece. Já pensei em levar a cadela a um psicólogo canino. Mas imagino que não exista. E se existir deve ser caro...

3) O ser cega, surda e muda. Apesar de não demonstrar nenhum deste problemas, tenho para mim que a Maria de Belém tem ataques de cegueira, surdez e mudez.
Muda é porque não ladra, não gane mas sobretudo porque não responde às perguntas que lhe faço.
A cegueira instala-se quando de repente está ao meu lado a roer uma peça de roupa, um abat-jour, um brinquedo de bebé, panos, caixas, tupperwares, ou qualquer outra coisa da lista dos proibidos. Eu estou mesmo ao lado e ela comete estes crimes como se nada fosse! Só pode ser cega! Eu estou aqui!! Era como se eu, ao lado do meu chefe, fizesse como se ele não existisse e fosse ao cinema em horário de trabalho enquanto dizia que estava a trabalhar.
Surda porque não ouve nada do que eu digo. Nem quando chamo pelo nome ela se vira ou olha para mim. Deve estar à espera que eu a trate por doutora, princesa belém. Ou então não gosta do nome que lhe pusemos e está à espera que lhe chame pelo nome de origem: "Cidra"

4) O jogo da apanhada. Quando eu a chamo de forma mais impaciente, seja para ir passear, comer, zangar ou simplesmente quando lhe peço para ir de quarto A para quarto B, a Maria de Belém desloca-se para a mesa da casa de jantar. É aqui que eu percebo que ela não é estúpida. Quando se apercebe da urgência na minha voz, posiciona-se estrategicamente no lado oposto da dita mesa. Quando a tento apanhar pela direita, ela dá a volta pela esquerda. Começo a correr para a apanhar e ela mais corre para fugir. Dou por mim e estamos a correr à volta da mesa da casa de jantar e passam pelo menos 10 minutos antes que fique perto de a apanhar. Porque aí começo a ficar cansado, ligeiramente asmático e com fumo a sair da cabeça. Já passei por cima da mesa e mesmo assim não a apanho. Parece um filme cómico do qual eu saio quase a chorar. Fazemos esta brincadeira muitas vezes. Eu era bom a jogar a apanhada, mas encontrei uma digna adversária.

Portanto, estou disponível para receber conselhos e ajuda. Grátis de preferência. Se alguém quiser passar uma semana com ela, está perfeitamente disponível. É uma cadela excpecional. De excepção. Como nunca vi. Mas agora vou estar motivado para ganhar a guerra.

E Agora, Maria de Belém?

PS - You can't Win, Maria de Belém!!

[aqui numa tentativa quase suicida quando a deixamos sozinha na varanda. Ainda que com rede, dribla a cena para a adrenalina do abismo. lá está a necessidade de psicólogo]

João B. Amado

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