Pessoas como nós




Estamos aqui sentadinhos e surge o convite
Numa primeira vez nem sabes se vais aceitar. Depois parece, ou não, entusiasmante e acabas por decidir ir.
Podes ir porque quem te leva/convida é fixe, podes ir porque queres dar mais ou podes ir só porque sim.
Vais ver e ouvir sobre voluntariado. Podes ir logo experimentar mas às vezes vais só ouvir para depois decidires se arriscas ou não.

Já passei por isso há uns anos, quando fiz voluntariado pela primeira vez. Foi uma coisa que ficou para sempre e me mudou.

Hoje cravei-me para outra experiência destas. Uma experiência em que três pessoas extraordinárias davam testemunho de voluntariado que tinham feito pelo mundo, uma na Índia, outra em África e Portugal e outra com refugiados na Sicília.

Ali sentadinha, enquanto os ouvia falar dos problemas e circunstâncias do mundo, especialmente do mundo novo que conheceram, é inevitável não pensarmos que o mundo está todo lixado.
Já está há uns anos, tem de ser uma coisa de anos, se não, não estaria neste ponto. Rebenta de refugiados de um lado, gente com fome e doenças de outro, problemas de suicídio, de pouca aceitação e de circunstâncias de vida inaceitáveis.
Sabemos disto tudo, vivemos mesmo ao lado disto na maior parte do tempo, mas vamos criando uma camada protectora onde já só o supra-sumo da barbatana nos surpreende duma maneira quase sadomasoquista.

Oiço e começo a imaginar os cenários que contam e começo a ficar meio nervosa. É que se não soubermos podemos dizer que não sabemos e pronto, mas saber e não fazer dá a sensação de compactuar com a cena. O que não é 100% verdade mas no meu caso acontece muito.

Algures no alto dos meus 20 anos a fazer voluntariado com a Equipa de África em Moçambique, passei por uma cena que me mudou. Estava lá há dois meses e num dos dias apareceu uma mãe a bater à porta do padre onde morávamos para pedir ajuda. Explicou-me que estava sozinha, a família toda tinha morrido de uma fatalidade e não tinha como sobreviver. Tinha dois bebés de colo, um dela e outro da irmã que morreu, um de menos de 2 e outro de menos de 1. Mamava um em cada maminha e tinha percorrido 40kms para pedir ajuda ou um trabalho ao padre, um trabalho que a permitisse sustentá-los. Recebi a mensagem e disse que o ia chamar. Corri com todas as pernas que tinha para o assunto mais urgente da minha vida. Cheguei ao padre meio sem fôlego e expliquei-lhe a situação. Ele responde calmamente que infelizmente não podia fazer nada, que era uma situação frágil mas que ele não tinha como a ajudar. Disse-me para lhe encher um prato de comida e dar-lhe, mas que não tinha trabalho para ela.
Voltei em passo lento com dois pratos, sentei-me ao lado dela para a ajudar com os miúdos e estar com ela. Ela pega na comida e a primeira coisa que faz é dar ao mais velho tudo o que ele queria (o mais novo ainda não comia sólidos), mas só depois de tratar do outro, de lhe lavar as mãos e de lhe dar água, é que ela comeu, num gesto que até me deixou sem fôlego.
Ela acabou por ir e eu fiquei. Não sei o que lhe aconteceu e não dormi bem nas noites seguintes.
Não havia nada que pudesse fazer para resolver-lhe o problema, ou talvez houvesse se estivesse em Lisboa ou se tivesse mudado tudo para resolver aquilo.

A verdade é que depois disso estabeleci que nunca mais ia deixar passar uma situação destas sem ter a certeza que podia ter feito mais.

Por isso, e sem fazer muito, partilho com vocês projectos que partilharam comigo e que fazem todo o sentido.
Quem estiver desse lado, quiser pegar e fazer mais por isto será espectacular. Um precisa mais de dinheiro e o outro de conhecimento nosso para uma resolução maior e mais integrada do problema. Diria eu, que não percebo nada disto.


Projecto Amelia
Hoje durmo aqui para tentar mudar a vida das famílias de Myanmar onde mais de 2700 crianças sofrem de cancro. Apenas 45€ permitem transportar para o hospital uma criança com cancro, por via aérea. Ajuda a fazer a diferença!



Refugiados
Um documento sem pretensões, simples. Para ser partilhado, melhorado, enriquecido, útil para todos os que quiserem. Para ser sugerido a outros. Para ser motivo de debate. Para ser impulso de novas ideias e soluções. Para ser motor de transformação. Sobre pessoas como nós.

candeia
noite de fados que angaria dinheiro para ocupação de tempos livres de crianças que estão em instituições. nós vamos




Se tiverem mais projectos que queiram partilhar, partilhem. Às tantas juntos podemos mais.

rosa amado

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