campos de sonhos e de loucuras

está num campo de férias a tanica, num campo como o campo em que a conheci. tinha ela na altura prai 11 e eu prai 23, não sei ao certo.

quando começou há uns dias ela mandou-me mensagem a dizer isso mesmo e deu-me cá umas saudades desses tempos. os tempos em que tinha tempo para fazer campos e tempo para uma entrega incrivel que é o que acontece. vais de mochila às costas sem saber bem o que vais encontrar pela frente, dormimos em tendas, tomamos banho no rio e fazemos chichi em latrinas como na guerra. e é uma guerra mas de emoções.

nós jovens lá lançados a dar o tudo por tudo para dar a estes miudos a melhor semana da vida deles. e eles miudos doidos por sair das instituições ou das vidas menos faceis que os trazem ali. e estamos iguais na entrega. começa o dia com um bom dia, pequeno almoço preparado pela mamã e tias de serviço e segue só em loucura. manhãs de jogos, tardes iguais e noitadas de palhaçada. os jogos organizados pelos tais jovens de 23 que estão sempre um passo á frente. também há jovens de 23 que são os lideres das equipas de miudos, que era o que eu era da da tanica e ela é agora de tantos. esses jovens lideres de equipas têm tanto de crianças como as que lá estão a jogar e têm só mais um bocadinho de mediadores para que tudo corra nos conformes. conformes esses que nunca estão bem definidos e vão sempre muito além dos sonhos. mas é duro. duro fisicamente porque os 10 anos parecendo que não dão luta e duro porque na entrega percebemos que estamos a lidar com tantas tantas fragilidades. deles muitas, e nossas outras tantas para estar e lidar com tudo aquilo sem perder o norte.

e há miudos tão queridos, quase todos são tão queridos. mereciam tudo de bom, e é isso mesmo que lhes damos com esperança que a vida depois continue isso na escala do infinito.
Tinha um miudo na minha equipa nesse tal campo que num dos dias desapareceu, foi um panico. o excesso de zelo faz-nos sempre fazer sentir que o zelo não foi assim tanto e ele fugiu. era um miudo triste e cheio de mau feitio mas querido ao mesmo tempo. numa hora do almoço, num tempo livre de descanso meteu-se entre arbustos e subiu subiu subiu até encontrar uma estrada, e uma aldeia, e um comboio, meteu-se no primeiro com destino a casa dos avós de quem tinha tantas tantas saudades e a quem estava proibido de ver, nós entretanto demos pela falta está claro e movemos mundos para o encontrar. um miudo de 8/10 anos que andava pralí perdido no mato achavamos nós, mas sabia ele o que procurar e numa epoca em que o telemovel ainda não era moda, muito menos dele, lá foi ele e lá chegou. a instituição disse logo que era onde ele iria mas nós sentimos-nos so minusculos.
chegou são e salvo ao destino que queria e foi um grande alivio para nós, não é normal fugirem nunca acontece mas o nunca aconteceu. Para ele era um numca comum.

o campo continuou como tinha de ser e foi importante para tantos outras com historias parecidas ou sem nada da ver mas de igual intensidade nas vidas dos participantes.
e depois à noite já no fim das energias fazemos-lhes um teatro no campo dos sonhos, novela como lhe chamamos dada a sequencia marada de episodios que seguem de uns dias para os outros pondo num chinelo qualquer loucura de unica mulher.

miudos no silencio da noite, que pode demorar a conseguir mas chega e os jovens de 23 juntam-se para preparar um novo dia. e que dias.

são dias incriveis eu que nos mudam muito e nos fazem crescer no sentido saudavel da vida. ainda que para isso tenhamos de assistir a realidades tão duras.

Por isso, este ano quando soube que o cmpo da tania calhava na semana dos anos do zé fiquei triste de não a ter mas tão contente de a ter lá. vou ficar também contente amanhã quando te tiver de volta.

o campo dos sonhos, os campos da candeia

[isto é só uma infima parte do que se passa nos campos, o resto é só magia e muito mais que dava um texto sem fim. quem já fez sabe do que falo, e quem nunca e em podendo, devia]



rosa amado

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