El verano de los Amados

Caríssimos,

Aproxima-se o fim do verão e pensa-se na volta à rotina, as escolas, as universidades, o trabalho. Ao mesmo tempo que refresca o estar na onda do verão, a verdade é que estamos há um mês fora de casa e voltar a casa é sempre bom. Por isso festejo neste texto o mês do verão, da liberdade e loucura, do sol e da água, do sai duma casa e vais para outra, com irmãos dum, irmãos do outro, sobrinhos, primos e muita actividade conjunta.

Não há melhor do que mergulhar num mar fresco num dia de calor intenso. O problema é quando o calor intenso dura 8 horas. Queima, arde, bronzeia e faz-me sentir um menino. Daqueles que faz birra por não saber o que fazer, que refila por tudo e por nada. Isto sou eu quando passo 8 horas por dia na praia. Felizmente a minha mulher mete-me encarregado das sestas. Adormeço-os e eu com eles. Fica bem para todos.

Na praia a minha mulher é que trata dos almoços. Os pães cheios de queijo, fiambre e mostarda da minha juventude, acompanhados da bela da coca-cola e um par de gelados pela tarde foram substituídos pelo que eu chamo de salada de cenas com arroz. Literalmente o que há no frigo de vegetais vai para dentro dum tupperware, junta-se arroz, mete-se restos de comida e temos a "salada de cenas com arroz". Ao mesmo tempo que é divertido perceber e tentar descobrir o que se está a almoçar, na verdade sabe sempre bem. O pior é que fico com fome meia hora depois. Mas aí vou para a fase da sesta para enganar a fome.

Chegar à praia e sair da praia também é uma pequena aventura. 4 mochilas, 3 putos, 2 chapéus-sol, 1 lancheira e uma mulher. A motivação para chegar ainda ajuda, mas vem sempre aquele riozinho de suor que desce pelo pescoço e desce até à entrada do fato de banho, onde poderá ou não juntar-se a outros aromas. Depois de chegar fura-se a areia com o chapéu de sol, evita-se com os pés que os miúdos corram para o mar para se afogarem e fazemos fila para a mãe da família por creme à malta. Tudo pronto, cada um corre para seu lado e começa o dia de não perder cenas e putos. Deve ser a sensação de encontrar pokemons com o telemóvel mas aqui é não perder os putos com os olhos. De repente às vezes, estão a brincar com outras familias como se nada fosse. Desde que na contagem do fim do dia estejam o numero certo de miudos e a respirar, tá ok.

Depois da praia chegas a casa e vês que tens 6 malas diferentes porque andas tipo cigano de casa em casa e já nem sabes o que é roupa suja ou lavada ou mesmo qual é a tua roupa. Banhos a 3 ou 4, cremes, cocós, chichis e uma hora depois está tudo pronto para o jantar. Já tens fome mas alimentas as crias e vais comendo uns restinhos, tipo aperitivo. Pensas que já vais descansar mas quando chega a tua vez de jantar já são horas dos minis irem dormir. Às vezes adormeces e jantas sozinho mais tarde, mas de qualquer maneira antes das 11 não tás despachado. Pensas que aí vais ter um bocadinho de férias, ver um filme, beber um copo. Mas o facto é que não te aguentas em pé e queres ir para a cama. Pensas em dormir, mas que no dia a seguir tudo recomeça. Pelo meio ainda há toda uma noite em que acordas, não sabes qual filho chora, mas pior não sabes em que casa estás, vais contra paredes e armários e ainda descobres que há outras crianças em casa e não é a tua a chorar.

Férias são férias e o resto é conversa, mas cada vez dou mais valor aqueles 30 segundos que tenho entre arrumar o carro, por os miudos nas cadeirinhas e ir por o carro a andar para um mês louco. Mas também se não fosse assim não tinha piada.























João B. Amado

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