Sagrada Barcelona

Mandou o destino que tivesse que passar uma semana em trabalho em Barcelona. Estranhamente, nunca tinha ido a Barcelona. É daqueles sítios que uma pessoa diz que é perto e vai adiando uma visita. A verdade é que a primeira noite soube a mel. Dormir 8 horas seguidas sem interrupções é um luxo raro nos dias de hoje e de facto ganha-se uma energia diferente.

O meu trabalho não era no centro e estando sozinho e chegando ao final do dia cansado não me apetecia visitar a cidade, que naquela altura me parecia uma metrópole. Quis o destino que a minha querida mulher, me tivesse oferecido pelos anos, a sua companhia nesta missão de trabalho, por dois dias. Assim, iria ter 4 dias de trabalho e dois dias de namoro a visitar uma Barcelona desconhecida.

No entanto, a partir do segundo dia, já começavam as saudades. Surpreendentemente eram saudades do caos, de ver os miudos à tareia, de poder agarrá-los e atirá-los ao ar ou para cima do sofá, naquele limite entre amor e risco de se partir a cabeça. De acordar à noite sem saber qual chorava, se tinha que ir buscar leite, àgua ou uma fralda seca. Chegar a um quarto de hotel e ouvir o silêncio duma parede que não responde é de facto um acto solitário que já não me acompanhava há algum tempo, apesar de ter vivido 4 anos sozinho.

Passados os dias de trabalho, chegou finalmente a hora de receber a minha mais que tudo e irmos à aventura. Tinhamos duas noites e um dia para aproveitar e conhecer a cidade como nós gostamos que é basicamente atravessá-la de ponta a ponta a pé, parando aqui e ali, passar pelos marcos mais importantes, mas sobretudo experimentar os conselhos que amigos nos deram como indispensáveis estando em Barça. Assim foi, Ramblas e Avenidas principais na primeira noite, com uma passagem por fora pela Sagrada familia e pelas casas do Gaudí e acabar num jantar de montaditos e tapas na Ciudad Condal. 

No segundo dia começámos pelo parque Guell e fomos com um apetite voraz a pé até à Sagrada Familia. Não tinha noção da riquez, imponência e arte sagrada daquele monumento. Fiquei assoberbado com a sua magnitude e história. Fomos com um audioguia para não perder um milimetro da sua história. Até subimos a uma das torres (de elevador) e descemos a mesma a pé com um ligeiro pânico pela ausência de corrimão (sim, sou um mariquinhas). Foi top do principio ao fim. Quando as obras acabarem em 2026, ano do centenário da morte de Gaudi, voltaremos lá sem dúvida com os nossos filhos.

Depois seguimos viagem a pé até ao mar, num dia de verão em Dezembro. Barceloneta, bairro gótico e acabámos no Born num restaurante fusão sul americano com japonês que nos soube a pato. Depois um descanso merecido e fazer um ponto de situação da visita.

Apesar de ter uma sorte gigante em conhecer muitas cidades deste mundo, Barcelona tem um charme original, diferente e muito acolhedor. O tempo ajudou, o namoro também, mas de qualquer forma, Barcelona fica no meu top 5 de cidades europeias. Adorámos. Acabou no entanto com uma saudade louca de familia e um reencontro que mais parecia uma ausência de meses. E foi assim que eu conheci a Sagrada Barcelona....... Muchas gracias!




João B. Amado

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