tão natural como a sua sede ou só o melhor da vida

Há coisas que a natureza não explica: explicam-se pela natureza (da coisa). A Tânia connosco é isso mesmo.

Quando digo que tenho uma filha de 21 o lado de lá tipicamente baralha-se. Quando tem coragem, devolve com a pergunta da minha idade e eu, não vou de modas, e respondo de volta os meus 33. Se ficarmos juntos segundos depois disso, veremos uma expressão de alguém com um nó no cérebro a tentar decifrar onde se enganou na conta. E eu sorridente, dependendo do dia, olho com ar de quem lê mentes: outros tempos, idades loucas - e abandono a cena divertida.

Se foram outros tempos eu não sei, e até gostava que tivessem sido todos meus, a verdade é que a loucura da vida foi quem nos juntou e à qual não tirava nadinha. A minha tanica é minha e hoje já ninguém de fora consegue imaginar, sem contas de cor, que ela não nasceu de mim. Até somos parecidas, dizem por aí e eu toda orgulhosa.

Mas sobre isto até já tinha escrito. O que não digo, e devia dizer mais vezes, é o papelão que têm eles irmãos na vida uns dos outros.
Ainda que com idades diferentes eles são referências uns para os outros, exactamente como devia ser. E procuram uns nos outros o que vão precisando (e o que são): calma, descargas, mimos, gostos e crescimento. E eu babo-me de ver.


tem de ser isto o melhor da vida, tem de pelo menos fazer parte da lista dos top.

E as cenas são infinitas, diárias e irrepetiveis: são deliciosas. 

O manel e a tanica que saem para ir os dois de metro às amoreiras. vão delirantes de mão dada e voltam com uma alegria que quem fez tudo o que queria.

O chá de scones e grandes conversas em que apanho a tanica e o zé, no domingo de manhã, com os restos do lanche do dia anterior.

Quando o xavier berra e o manel ao lado diz calma e docemente "não chora xavi, se não quer que a mãe tira a roupa diz à mãe e ela não tira.", e ele cala-se a olhar derretido para ele.

Deixar o zé e o xavier na banheira a ouvir musica e apanha-los segundos depois a dançar.

Pedir à tanica que olhe por um deles, e ela não só faz isso, como em segundos já pendurou um papel de cenário em qualquer lado e estão a fazer pinturas.

O manel que madruga e vai em pés de algodão acordar o zé para descerem juntos ver desenhos animados.

e ficava aqui a noite toda.... 


rosa amado

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