24 horas - o filme

Caríssimos,

A minha mulher acabou a licença de maternidade, o que traz coisas boas e coisas más. As boas são relativas ao retorno à vida normal, motivação profissional, cansaço mais dividido. As más prendem-se à falta de tempo, aos imprevistos e rifas que me saem...

No passado fim de semana, calhou-me a rifa de ficar 24 horas consecutivas com 3 dos meus filhos. A Rosa tinha um "jantar" com colegas de trabalho, e no dia seguinte ia trabalhar o dia todo em filmagens. A Tânia estava a trabalhar o fim de semana fora em missão babysitting. Adoro todos os meus filhos mas ficar com 3 rapazes dos 4 aos 0 trazia-me uma certa ansiedade, depois duma semana dura de trabalho. De qualquer forma saí do trabalho na sexta-feira a agradecer a familia que tinha e a pensar que isto ia ser positivo e muito bom para todos...

O que é que sucede...? Sucede que quando cheguei a casa para iniciar esta ronda de 24 horas, percebi que estavam todos com virose ou semelhante, e que iam rodar muitas fraldas e idas à casa de banho. O leitor mais assíduo do blog sabe que eu falo muito de cocó, de forma a tentar desmistificar o que de facto é o mais natural e rotina diária, ou quase diária. Mas desta vez foi demais!

O Manel foi para a cama cedo. O Zé, consegui adormecê-lo pelas 21h30 ao lado dele na cama depois de lhe ler 3 histórias e de lhe dar 3 bolachas (na verdade ele só queria as bolachas, mas psicologicamente fico a pensar que até sou um pai fixe...) Eram 22 horas e fui tratar de adormecer o Xavier. O Xavier parecia ter bebido 3 uisques redbull, tal era a energia. Depois de gastar a energia vinha a ressaca em forma liquida, por cima e por baixo, dependendo do que ia apanhando o elevador. Gastei um pacote de toalhitas entre camisa, rabo, sofá (sim Rosa, houve cocó no sofá), costas e outros sitios que limpei sem a certeza do que se tratava.

Meia noite. Tudo a dormir. Eh lá, pensei eu... "ainda vou ver um filme antes de ir para a cama, uma coca cola e repastelar-me no sofá... Isto afinal..."
Tábeim... Mal começou o filme os berros "PAI!!! Já fiz cocó!!" se ouviram ao longe. Coitado do Manel. levantou-se 3 vezes para ir à casa de banho e na última já chorava a dizer que tinha comichão no rabo. Não havia maneira de o distrair ou não chorar. Fomos ver desenhos animado....

Fui para a cama assim que possível para estar descansado para o dia seguinte....No dia seguinte ia chover muito, o Manel tinha uma festa de anos e portanto ia ser espetacular.
Acordo pela noite, com mais fraldas para trocar, biberon para dar e rabos para limpar... Podia ser pior.. pensava eu...

Pequeno almoço corre bem. Sem cocós. Tudo a comer. Sem choros. Brincadeiras e descanso.
Mas foi no almoço que tudo começou a piorar. O primeiro chorava, o segundo não queria comer e o terceiro queria comer o almoço do segundo. Voltam os cocós. E desta vez não fui tão eficiente, porque dei por mim e tinha 3 tipos de cocó na minha mão...o que acho que não é normal...

Enquanto o primeiro chora, o segundo caga e o terceiro não come. Já não sei qual é qual. Qual comeu, qual cagou ou se me esqueci de dar água ou outra coisa qualquer que fosse fundamental para que ficassem bem. Já estávamos os 4 em survival mode. Vinham aí as sestas... Experimentei a técnica do "deixar na cama, fechar a porta, tapar os ouvidos". Estava a funcionar muito bem quando me lembro que o Manel tinha uma festa. E faltava o presente, Encontrámos "um presente" (ainda não percebi o que era). Faltava embrulhar.... Ui... Eu sou a pessoa que ia chumbando na primária em trabalhos manuais. Não encontrei fita-cola. Peguei no jornal Record e encontrei cola daquela marca amarela. A táctica era para mim óbvia:colar jornal à volta "do presente" e dizer que tinha sido o meu filho a escolher o presente e a embrulhá-lo. Orgulhoso por mais uma solução encontrada, lembro-me que tenho que levá-lo à festa. Mas está uma tempestade lá fora! e os outros estão a dormir.. Assumi que não tinha solução e telefonei à minha querida tia de baixo a pedir ajuda. Ainda não tinham almoçado, então peguei nos que tavam a dormir, fui pô-los no andar de baixo. Peguei no manel, enfrentei a tempestade e saímos em direcção à outra ponta da cidade. Cidade essa que estava um caos. Quase uma hora no trânsito e chego ao destino. Orgulhoso e o Manel contente por ir estar na festa do amigo, tentamos encontrar a sala da festa. Procuro por míudos ou pais com presentes e nada... Será que me enganei no sitio? Confirmo morada. Tudo Ok. Será que me enganei nas horas? confirmo horas, tudo ok... Será que....? mal pensei percebi... A festa era no domingo e não no sábado...Comecei a chorar por dentro... O Manel começou a chorar por fora quando percebeu.

Fomos a chorar para casa. Estávamos os 4 reunidos outra vez. Encaixámos-nos no sofá. Trouxe todos os brinquedos que encontrei, bolachas que ainda havia e desenhos animados. Ficámos quietinhos, em silêncio, à espera que nos viessem salvar... Passado umas horas, chegava a mãe rosa. Separámos-nos (os 4 homens) e só nos viriamos a ver no dia seguinte. Foram 24 horas engraçadas e boas para união masculina.

Mas os 4 sabemos apesar de não termos falado sobre isso, que programa destes de 24 horas sozinhos, antes de 2016 não queremos...

João B. Amado

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