hoje sonhei com este episódio épico- o casamento na nossa elisa mas a de maputo

Escrevia o joka à data de 04 do oito de doid mil e oito. acontecido na nossa outra vida em maputo. a mesma mas noutro continente.

Caríssimos,

Preparem-se porque provavelmente este será o post mais longo, mas não menos interessante, da vida deste blog. O guião a que vos apresento relata o casamento da nossa empregada Elisa com o Sr. ...., senhor seu marido. Tenho que vos falar dos antes, dos durante e dos depois(es), para que nada falta a esta crónica descritiva de um casamento de outra cultura.

Enquadramento:

A Elisa é nossa empregada há 4 meses. É timida, larga poucas silabas diariamente e parece ter medo do patrão, e o patrão parece ter medo dela. Enfim... Há uns tempos pediu-nos um empréstimo para comprar um vestido de casamento porque o noivo só queria alugar. Assim feito, recebemos o mês passado um convite de casamento, igual ao que eu fiz em 1985 para convidar os putos da minha turma ( sim porque as raparigas só começaram a ser convidadas aos 13 anos para dançar "slows" e comentar os últimos episódios do Beverly Hills 90210). Depois da simplicidade e humildade visivel do convite, sabiamos que vinha aí coisa bonita
Na semana passada a Elisa diz : " tá a pidir camera de filmar porque a do fotógrafo se estragou"
A Rosa na sua aceitação imediata juntou-se na invasão ao meu maior pragmatismo e indecisão duma decisão que afinal já tinha sido tomada.
Dia 3 de Agosto. véspera do casamento, telefonamos à Elisa para saber como combinar a entrega da Sony Digital, quando ela nos diz " afenal o casamento é no 3º cartório de Maputo ás 9 da manha por trás do cemitério". Não me preocupou o facto de ela não se ter lembrado de nos avisar a mudança de planos. Fiquei mais ansioso, por ter ir para um casamento ás 9 da manhã. Isso juntado ao facto de haver um cartório por trás do cemitério e o facto de ninguém saber onde ela era, começou a levantar-me a azia... Enfim, em Maputo sê Maputense e lá fui eu dormir a pensar: há-de se resolver. Combinámos aparecer mais cedso por causa das combinações da camera. E assim dormir e sonhar com o meu Belenenses...

Dia 4 agosto 2008:

O fatídico dia chegava, sem eu saber que seria uma personagem participativa na maior epopeia que alguma vez começava no 3º cartório de Maputo atrás do cemitério.
Acordo , um sábado de manhã, com o sono do costume e depois do meu café, dizia à Rosa: "despacha-te que estamos atrasados"!! Eram 8h42... O casamento era ás 9h00... Eis senão quando toca a campainha... DLin Dlong!! Eu mandei uma obscenidade para o ar pois realizei que não poderia nada de bom acontecer ás 8h43 num sábado de manhã em Maputo...
Desço as escadas e pergunto à porta um grande SIM?!?!? à espera de me irritar com mais um vendedor de caju que quisesse levar uma chapada matinal (equivalente a uma testemunha de jeová nos bater à porta naquele momento inconveniente..)

Resposta: " aqui é o noivo!!" Pronto... pensei eu... já me prejudicaram (aqui houve censura..)!!
Era o noivo da Elisa que vinha com o vizinho fotógrafo buscar a dita da máquina... Mas não te estás quase a casar? Como vais para o cartório? Vou de chapa(mini autocarro) diz-me ele confiante... Lol respondi eu... Nós temos carro , levamos-te... Ainda eram 8h52 senhoras e senhores!! A epopeia começava... heróis contra obstáculos a roçar com uma tragédia grega.
9h00 em ponto chegamos à porta do Cartório, onde estava tudo fechado. Ok, penso eu, isto tá bonito , está!! Fui beber uma coca cola no café do lado. O noivo, no minuto a seguir fez-me companhia. Passado segundos chegou um carro com quem? com a noiva lá está!!! Portanto , resumindo neste momento estava eu, a Rosa, o noivo, a noiva e o fotógrafo\cameraman desdentado com hálito a podre enjoativo. A Rosa lá convenceu um senhor a abrir o cartório e pôs-se tudo em posição. Só faltava o resto da malta que foi chegando de chapa. Entramos dentro do cartório qual igreja improvisada e vejo que falta o noivo. Vou buscá-lo pois ainda estava a beber a sua coca cola que não ia desperdiçar nem um golo. A noiva, não vou descrevê-la pois irão ver as fotos se se portarem bem. Só digo que tinha luvas à Michael Jackson, brancas de renda... uma pequena delicia.
Começa a cerimónia, muito séria, com cânticos de dois lados em batalha constante. Esquerda do noivo, direita da noiva. Parecia um Derby Português de futebol com adeptos confusos e desafinados. Passado uma hora de difícil passagem, um anel para um lado e outro para outro(confuso?) e lá saímos do cartório, onde ficámos outra hora a olhar para a estrada à espera do resto dos convidados. Lá chegaram as damas de honor (não eram madrinhas) e freneticamente se continuaram a maquilhar e pintar as unhas. Já eram 11 e eu pensava que ia ser muita difícil aguentar este ritmo. Fomos beber um café a casa e fomos ter com toda a trupe ao jardim dos namorados. Este jardim é tradicionalmente o sitio onde todas a noivas vão tirar fotos. Há um percurso, mete-se na bicha e espera-se que as outras noivas passem para ser a nossa vez. Qual casamento de santo António, esperou-se e tiraram as fotos mais pirosas da história da humanidade, incluindo com um tigre peluche que lá poisa que dizem ser o máximo!!

Próxima paragem: Pontão da praia. Diz que se tira fotos muito boas no pontão, onde parece que os noivos andam na água. fotos e mais fotos. Entretanto já tinha 5 tias da Elisa no carro a cantar e alto... O fotógrafo pergunta-me que sinal era aquele na camera, se era do calor. Não, era o fim da bateria... Fomos buscar o carregador e depois tínhamos encontro marcado na casa da noiva a 20 km de maputo, na zona de benfica, na zona verde , bairro Q, casa 213. Eram 13h45!!
Depois de atravessarmos areais, matos e provavelmente atropelado macacos e bambis, chegámos à dita casa onde fomos recebidos por toda a aldeia. Isto porque fomos os primeiros a chegar.. Entro dentro duma casa humilde, onde no pátio estão duas crianças nuas, já avantajadas (não há cá mitos) a serem lavadas freneticamente. Bonita vista... Tempo depois chegam os noivos. Canta-se, faz-se berros tribais e encaminham-se 200 pessoas para uma mês onde cabem 20. Eu e Rosa, branquinhos fomos convidados a nos sentar-mos na mesa dos noivos. Espectáculo penso eu. Tragam lá a jola e a chamussa!! Népias!! Faltava a cerimónia religiosa!!! Eram cristãos, mais que isso não sei... Leram o antigo testamento e depois traduziram para nós... Eu bem tentei dizer que não era necessário pois era conhecedor (imenso!!) mas nada os demoveu!! depois de duas horas a traduzirem que a mulher foi feita da costela do homem passou-se para a festa... Surge um "mestre" de cerimonias que explica o plano: discursos, corte do bolo, danças, comida e dádivas dos presentes. Um pormenor interessante foi que eles pensavam que o copo de água era literalmente um copo de água, pois foi a única coisa que nos serviram durante 2 horas.

Discursos. Muito honestos e humildes. mas quando começaram todos a olhar para mim, o tempo parou!!! depois ouvi.... : agora o patrão da Elisa!! Era mesmo aquilo que me apetecia!!! Espectáculo... Vá lá que até me safei, até invoquei Deus, não se o mesmo deles mas isso não interessa. Depois de tanta adrenalina quis-me ir embora. Era demais para mim. Deixámos os presente e fomos embora... Eram 4 e ainda não tínhamos comido nem bebido nada e sentíamos-nos a mais... mas fizemos o nosso papel!!!















rosa amado

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