Atirei o pau ao Gato

Não atirei mas devia ter atirado. Se tivesse um pau. Em casa.

Foi 5a feira passada. Tempo ameno. Um dia normal de trabalho. Neste dia a minha rica mulher foi em filmagens, só voltaria no dia seguinte à noite. A Tanica estava fora a animar um campo de férias.
Chego a casa pelas 20 horas. O Manel ensonado, o Xavi a andar dum lado para o outro (desde descobriu que sabia andar não faz outra coisa) e o Zé excitadissimo como se fossem 9 da manhã e tivesse um dia espectacular pela frente. A Maria de Belém a fazer de guarda.

Já sabia que se avizinhava umas horas difíceis. É sempre assim quando um pai homem fica a sós com 3 crias e uma cadela. É uma regra dos livros. Estava a planear a gestão da coisa. Daqui a 10 miuntos adormece o primeiro, o segundo entretanto fica mais cansado e o terceiro é pô-lo a andar dum lado para outro até que percebe que tem sede\fome e dou-lhe o biberon na cama e adormece.
Estamos os 5 na sala quando ouço um barulho na cozinha, como se lá alguém estivesse. Olho à volta, faço mais uma vez a contagem: 1,2,3,4,5. Estamos aqui todos... Temos gatuno, à descarada, ainda à luz do dia?

De repente a Belém lança-se para a cozinha, de como quem sente perigo. Vou a correr atrás.
Chegamos à cozinha ao mesmo tempo e enquanto travamos a deslizar (na minha cabeça aconteceu tudo em câmara lenta) descortinamos em cima da bancada da cozinha, uma coisa castanha felpuda, assanhada, mistura entre rato gigante e urso miniatura. Ainda o meu cérebro está processar que está um gato gigante na nossa cozinha, ele salta na nossa direcção. Eu e a Maria de Belém, como qualquer cadela e homem fazem, mudam a mudança, marcha atrás e meia a volta e acelera!

Sim, eu e uma cadela estamos a ser perseguidos, literalmente a fugir dum gato que não conhecemos dentro da nossa própria casa. Enquanto humildemente fugíamos, deparamos-nos com 3 obstáculos no caminho de fuga, a quem no dia a dia chamo filhos. Naquele momento a Belém encarnou a ideia de ser uma bola de bowling e os miúdos eram os pinos. O primeiro a levar foi o Xavi. Gostas de andar, vais para o chão que é bem bom. O segundo foi o Zé: tás-te a rir, vais ao chão ver o que é bom, a ver se continuas a rir. E o terceiro foi o Manel, já a dormir no sofá. Tás a dormir, já vais ver se não acordas. Dou por mim em pé em cima do sofá, a Belém a dar voltas a fugir dum gato que já não está lá. O Manel ficou a dormir impávido e sereno mesmo depois de ser albarroado. O Xavi a chorar porque de facto levou a maior pancada. O Zé a rir-se as gargalhadas a olhar para nós como quem diz:" Ok, isto parece-me um jogo muita divertido mas expliquem-me para eu também brincar"

Estes 10 segundos pareceram 1 hora. Fiz-me forte e voltei para trás. O gato tinha voltado para a cozinha. Simulei passos forte e barulhos de "predador" e ele fugiu pela janela.
Estava a suar em bica e coração aos pulos. Fui gerir os "feridos" pinos de bowling.
Lembrei-me entretanto que os cães é que perseguem os gatos e os homens os cães. Mas pelos vistos as leis da natureza funcionam de maneira diferente lá em casa.

Agora sim compreendo a música do atirei o pau ao gato. Já tenho um pau na cozinha preparado.
Dona Chica, estamos juntos!!


João B. Amado

1 comentário: