nosso golo

Golo parece uma parvoíce escrever-te,
mas,
enquanto escrevo,
também falo,
sei que me estás a ouvir.

Aposto que estás mesmo em cima de mim com tanto espaço à volta, 
era o teu forte.

Sinto realmente a tua falta,
mais do que pensava.

Hoje lembrei-me do dia em que foste atrás de mim, 
entraste no autocarro,
tentava fingir que estava muito preocupada por estares a tentar entrar, 
ainda hoje me rio disso.

Lembrei-me do dia em que estava a sair do metro, 
e lá estavas tu, 
à minha espera.

Lembrei-me das nossas corridas.

Lembrei-me do teu suspiro quando nos púnhamos em cima de ti,

Lembro-me da tua companhia,
Só não me lembro do nosso primeiro dia.
Parece que já fazias parte de mim.
E se calhar até fazias,
Só ainda não nos conhecíamos.

O Zé e o Né também sentem tanto a tua falta.

Dissemos que foste para o céu,
fazer companhia ao Bock.

O Né disse que não queria que estivesses no céu,
Ele sabe que quem vai para o céu, 
morre.

Quando crescer,
vai perceber que é de mestre,
estares no céu,
vai perceber que é confortante sentir saudades tuas.

Tânia Amado

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