Dia da mãe em 2026
O ano passado no dia da mãe o João deu-me uma massagem. Adoro massagens, se pudesse era uma por dia. São terapia. O ano passado no dia da mãe ainda não estávamos a acolher nenhum baby mas dias depois soubemos da possibilidade quando nos ligaram com “o caso”. Estávamos em época de almoços e jantares com amigos, os miúdos já muito autónomos e por todo o lado bem. Marquei a massagem para semanas a seguir já a babar. Teve de ser algumas semanas porque com o caso em mãos era preciso deixar fechado tudo o que era possível no trabalho. Quando chegou o dia na massagem já cá tínhamos a sombra há 1 ou 2 semanas. Decidi que dava para ir, era só 1 hora. Nas horas antes percebi que não dava, comecei a fritar a pensar que ia perder se não fosse. Decidi então ir com ele, perdido por 100, perdido por 1.000. Fui. Foi difícil, foi tudo difícil. A terapeuta tentou ajudar mas ela precisava de estar colado a mim e eu estava a tentar fazer uma massagem. Tentamos de tudo e resultou 2 ou 3 minutos a cada tentativa. Sai antes. Fui ao panda cantina almoçar para respirarmos os dois, fez uma cena macaca. Foi por aí que percebi o difícil que era para ele pessoas que não conhecia e espaços com gente. Choramos os dois eu acho. Ele abraçado a mim e eu a tentar comer. Depois voltámos de taxi, não tinha sido possível pô-lo na cadeira para vir, não me largava. Nesse dia também ele ia ver a sua mãe e parte do desatino era isso, apesar de chorar desconsoladamente de saudades da mãe pelo menos uma vez por dia, estava igualmente desconsolado com a possibilidade de a ver.
Era muito confuso. Tinha de ser. Estávamos todos um bocadinho perdidos.
Este foi o meu ano mais difícil como mãe, dos 15, foi mais difícil a ser mãe de um bebé que não é meu mas que precisa de mais mais do que tudo. É sufocante, é muitas vezes alucinante e tantas outras apalpamos terreno de mãos na terra a tentar perceber o que fazer a seguir.
Foi um ano muito imperfeito. Quis quase sempre soluções que não tinha. Quis quase sempre mais tempo para onde não conseguia chegar. Estive muito perto da loucura. Foi um ano que me ensinou muito (só conta ano mesmo no dia da massagem 🤪). Acho que o repetia todo em tanto que tenho/temos aprendido. Há um limite para o que conseguimos e não sabemos né onde ele existe. A vida não tem de ser sempre difícil para valer a pena ao mesmo tempo diz que a musculação faz músculo e que depois dos 40 precisamos disso mais do que dantes para nos moldarmos. É bom termos esta oportunidade de treinar a empatia e, no limite, as situações limite. Adoro ser mãe. Adoro massagens. Escrevo isto sozinha na cozinha (que só eu acho desarrumada) com todos a dormir menos a minha sombra que hoje, para contrariar a tendência dos últimos tempos, acordou numa birra só. Já tivemos as nossas batalhas de colheres, tigelas, copos e quantidade de leite no copo para que não seja possível chorar. Agora está tudo calmo. Ontem foi um dia feliz e depois de um dia feliz vem sempre uma grande birra, outra coisa que tenho aprendido e não sei explicar.
Um beijinho a todas as mães neste relato marado que o corrector corrigiu para marcado. Faz me falta a minha mãe e faz falta a minha sogra ao João neste dia e por isso este é sempre um dia atrapalhado. As mães fazem muita falta, a sua ausência é uma atrapalhação que no caro da minha sombrinha é isso mesmo em bruto. São muito do que nos constrói, temos muita sorte que nunca nos faltou amor. Nunca nos podemos esquecer disso.
Será que este ano recebo outra massagem? Quero.


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